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17-03-2009
 
Estamos em crise?
 

Toda vez que há uma crise mundial nossas autoridades desengavetam o discurso de que o Brasil não será afetado por ela. Lula está mantendo viva a tradição ao afirmar que o Brasil, como diziam os militares durante o primeiro choque do petróleo em 1973, é uma ilha de tranquilidade no meio do desespero geral. Quem tem boa memória se lembra que o governo militar manteve, de forma absolutamente irresponsável, a economia brasileira artificialmente aquecida e deficitária apenas para explodir 10 anos depois na crise da dívida de 1982.

A crise atual é do mesmo porte da crise petroleira de 73. A causa não é inflação primária (como quando o petróleo quadruplicou de preço em poucos meses) mas a destruição líquida de riqueza financeira mundial, encurtando o crédito e reduzindo os poderes de compra. Mudam as causas mas não as consequências. O mundo está parado. Os "ajustes" que estão sendo feitos nas manufaturas pouco lembram as correções de rumo comuns quando uma recessão se avizinha. Estão sendo cortados 30% dos postos, em média, e fechadas fábricas. O acelerado crescimento do desemprego mundial levanta justificados medos de que a recessão vire depressão. E nós estamos aqui curtindo a nossa ilha de tranquilidade.

O Brasil de hoje não é o Brasil de 1973. Não há nenhum aspecto comparável exceto o tradicional otimismo dos governantes, que sempre enxergam tranquilidade quando todas as luzes amarelas já se acenderam.

Estamos em recessão? Ninguém sabe. Os dados disponíveis mostram que as pessoas estão reduzindo seu endividamento, aumentou a inadimplência entre aqueles que tem carnês para pagar no varejo, as vendas de imóveis se estagnaram e o índice de desemprego deu um salto. É um cenário de forte preocupação

Já vi muitos varejistas quebrarem no passado por acreditar nas visões róseas dos governos e aumentarem seus níveis médios de estoque. Se a demanda não vem, os estoques se transformam em insolvência junto ao parque fornecedor e o varejista quebra. O que fazer no cenário atual? Pecar pela falta e não pelo excesso. Perder clientes por desabastecimento é horrível mas perder a empresa por insolvência é muito pior. Mantenha seus estoques em níveis mínimos. Garanta seu caixa. Não arrisque.

Prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Em momentos de incerteza, prudência é sempre uma recomendação válida

 
Postado por Fabio Nogueira em 17-03-2009 às 01:53 00 comentários
 
27-06-2008
 
Mais uma bolha?
 

O recrudescimento da inflação, o aparente esgotamento da capacidade de endividamento da classe de renda mais baixa e a redução nos gastos públicos poderá refrear o crescimento da economia ainda em 2008. O varejo já percebe uma queda nas vendas. E a indústria começa a repensar seus planos de produção e vendas para o segundo semestre, buscando antecipar de quanto serão os pedidos efetivos do varejo para o Natal.

Embora a maior parte dos analistas tenha vaticinado que o Brasil apresenta sólidos fundamentos econômicos e o crescimento (maior ou menor) é bastante sustentável, o esfriamento dos negócios poderá trazer pessimismo para os agentes econômicos, com inevitáveis reflexos nos gastos das famílias, principalmente nos de maior valor.

Notícias de aumentos de impostos, a queda contínua das bolsas, o aumento do petróleo e a crise americana não ajudam em nada a alterar este quadro. No passado já vimos muitas vezes o Brasil remar contra a maré e as coisas darem errado no final. A idéia de que somos uma ilha ou um núcleo de prosperidade no meio da confusão jamais se mostrou acertada e agora também não se mostrará.

A pergunta que fica é: estamos no meio de mais uma bolha que logo, logo se esgotará? Ou é apenas um soluço de curto prazo?. Talvez a resposta certa esteja exatamente entre estes dois extremos

 
Postado por Fabio Nogueira em 27-06-2008 às 05:08 00 comentários
 
27-11-2007
 
Qual o papel da estratégia corporativa?
 

De meados dos anos 80 a meados dos anos 90, o planejamento estratégico, ou a definição em si das estratégias, tinha uma relevância muito grande. A maior parte das grandes empresas se engajava em exercícios longos e complexos de planejamento, não raro envolvendo diretamente duas dúzias de pessoas ou mais. A necessidade de se pensar a longo prazo continua presente mas não se vê mais tanto empenho no processo nem tanto glamour em torno das estratégias de negócios. Porque isso aconteceu? Por várias razões.

A primeira, e talvez mais importante, é que o cenário de negócios é hoje mais previsível do que antes, em que pese o forte crescimento da concorrência em praticamente todos os setores da atividade. Durante o período inflacionário, coincidente com o regime militar e, depois, com maus governos civis, havia uma conjugação de instabilidade econômica, progressiva perda de proteção legal à concorrência estrangeira e rápido progresso tecnológico. Um ambiente mutável e de baixa visibilidade Uma segunda razão é que as empresas não possuiam nem a cultura do pensamento estratégico nem a prática do planejamento. Ambas atualmente estão presentes no discurso e na gestão de qualquer empresa com razoável nivel de profissionalização.

Por fim, a execução era uma preocupação um tanto secundária. Má execução das estratégias conduz a um potencial desastre financeiro mas as coisas eram menos dramáticas 20 anos atrás. O mercado era menos exigente, as leis protegiam menos o consumidor, a concorrência era local e mais simples e a cartelização de vários setores da atividade minimizava riscos.

O desafio hoje é "fazer certa a coisa certa no tempo certo", uma frase de efeito conhecida mas que ganha mais e mais atualidade a cada ano que passa.

Fabio Nogueira

Sócio Diretor - Dextro Consultoria

 

 
Postado por Fabio Nogueira em 27-11-2007 às 01:17 00 comentários
 
 
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