De meados dos anos 80 a meados dos anos 90, o planejamento estratégico, ou a definição em si das estratégias, tinha uma relevância muito grande. A maior parte das grandes empresas se engajava em exercícios longos e complexos de planejamento, não raro envolvendo diretamente duas dúzias de pessoas ou mais. A necessidade de se pensar a longo prazo continua presente mas não se vê mais tanto empenho no processo nem tanto glamour em torno das estratégias de negócios. Porque isso aconteceu? Por várias razões.
A primeira, e talvez mais importante, é que o cenário de negócios é hoje mais previsível do que antes, em que pese o forte crescimento da concorrência em praticamente todos os setores da atividade. Durante o período inflacionário, coincidente com o regime militar e, depois, com maus governos civis, havia uma conjugação de instabilidade econômica, progressiva perda de proteção legal à concorrência estrangeira e rápido progresso tecnológico. Um ambiente mutável e de baixa visibilidade Uma segunda razão é que as empresas não possuiam nem a cultura do pensamento estratégico nem a prática do planejamento. Ambas atualmente estão presentes no discurso e na gestão de qualquer empresa com razoável nivel de profissionalização.
Por fim, a execução era uma preocupação um tanto secundária. Má execução das estratégias conduz a um potencial desastre financeiro mas as coisas eram menos dramáticas 20 anos atrás. O mercado era menos exigente, as leis protegiam menos o consumidor, a concorrência era local e mais simples e a cartelização de vários setores da atividade minimizava riscos.
O desafio hoje é "fazer certa a coisa certa no tempo certo", uma frase de efeito conhecida mas que ganha mais e mais atualidade a cada ano que passa.
Fabio Nogueira
Sócio Diretor - Dextro Consultoria
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